terça-feira, 2 de junho de 2009

Poema a prazo

1ª parcela
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Não pague adiantado
Espere 30 dias;
Saboreie de lado a lado
Poema é também mercadoria.
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2ª parcela
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Já consumiu este produto?
Isto pertence a você.
Ou não deixe de pagá-lo.
Ou estará no SPC.
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3ª parcela
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Nesta coisa ponho o nome,
logo me leva aonde for;
não se preocupe com a autoria,
pense em mim como credor.
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ùltima parcela
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Poesia é o meu produto;
E é produto capital.
Se mãe vende a própria filha,
eu é que não faço mal.

3 comentários:

Alex Sandro disse...

Perfeita manim...
Como diz a música:
"Eu não posso causar mal nenhum, a não ser a mim mesmo, a não ser a mim".
Assim são os poetas...
Adoro sua forma de escrever, o detalhe como encaixa cada palavra no contexto. Ainda chego lá!!
Abraços.
Negão.

Marcelino disse...

Caramba! Esse texto está muito legal, bom mesmo: a estrutura é um pouco diferente do que eu já li escrito por vc;mas o conteúdo não nega a autoria: metalinguístico e social. Ótimo.

Marcelino disse...

Poetas não fazem mal, mesmo quando, igual a nós internautas, parcelam a poesia para que o leitor saboreie-a lentamente, sem medo do pagamento final: o fascínio.